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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A agitação e a tranquilidade do Terminal Santo Antônio

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Crônica
Imagem: Sorocaba Globalizada

Rostos diversos e desconhecidos que vêm e vão à procura do meio de transporte coletivo mais estressante do mundo. O Terminal Santo Antônio é o perfeito exemplo de contradição. O silêncio é quebrado pelo barulho dos ônibus que entram e saem do local. As vozes caladas nos dão a sensação de tranquilidade, mas só a sensação. Na verdade, a pressa e a correria são as rainhas desse castelo. As senhoras se perdem nos horários: “Que ônibus eu pego para chegar ao Jardim Iguatemi?”. “A senhora pode esperar o Retiro São João, que chega daqui a 40 minutos, ou pegar o Expresso, ir até o Terminal São Paulo e lá pegar o Iguatemi mesmo”, responde a atendente, pouco se importando com o longo tempo que leva para qualquer uma das escolhas. A melhor opção é esperar lá mesmo, para não ficar se apertando na lotação do Expresso. Pelo menos agora é possível esperar sentado e, se precisar, utilizar o banheiro chique do terminal.

A calma das senhoras é substituída mais ou menos às 12h30 pelas risadas altas dos adolescentes que acabaram de sair da pior aula de física da vida para ir para casa almoçar o bife com batatas da mãe. Dezenas de jovens conversam, riem, jogam baralho e por que não tomar um milk shake? “Ah se minha mãe souber que estou tomando isso antes do almoço!” – não importa, a garota vai chegar em casa e engolir o bife do mesmo jeito.

Os trabalhadores também vêm e vão na sua rotina. O costume é tão forte em bater o cartão na catraca todos os dias que até se esquecem de comprar o passe que a esposa pediu. “Como esqueceu pela segunda vez se você passa por lá todo dia?”.

A paisagem se completa com os guardas municipais, sem ter muito o que fazer ali, gente que entra no terminal para pedir coisas, pessoas promovendo instituições de caridade, um senhor que bebeu demais...

Os motoristas aproveitam a parada de dois minutos no terminal para descer e esticar as pernas, tomar um café, comer um pão de queijo e papear com os colegas.

As tribos ali se misturam em harmonia. Raramente acontecem brigas, desentendimentos, acidentes. É uma bagunça organizada.

A paisagem, além de ser formada por senhoras, adolescentes, bêbados, policiais, motoristas, mendigos, é ainda completada por... pombos. Talvez haja ali mais aves do que pessoas. Alguns os repelem, outros aproveitam para oferecer-lhes um pouco do Fandangos que estava na mochila.

E nesse vai-e-vem os ônibus entram e saem passando por centenas de vidas, cada uma com sua história, cada uma com um lugar para ir. Essa gente pega um ônibus para chegar a mais um lugar, ter mais uma história para contar e um novo lugar para ir. Por favor, moça, qual ônibus pego para chegar ao paraíso?

Tamara Araújo (AgênciaJor/Uniso)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Via Viva – um novo norte para Sorocaba

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Crônica

Luiz Felipe, 12, levantou-se às 7h da manhã no último domingo. Vestiu sua ca-miseta preferida, da banda Iron Maiden, e foi tomar café. Sua mãe, ainda deitada, ficou surpresa de saber que o filho - tão preguiçoso e que sempre acordava depois das 11h aos domingos – já estava fazendo a maior bagunça na cozinha. Não bastasse o inesperado, o menino ainda avisa a mãe que está indo com alguns amigos para a Avenida Itavuvu. Mas, afinal, o que incentiva Luiz Felipe a fugir tanto de sua rotina e ainda passear na avenida mais movimentada da zona norte de Sorocaba? “Vou para a Via Viva”, comentou o garoto com a mãe, às pressas. Ele se referia ao projeto da prefeitura iniciado em 2011, que fecha o percurso da Avenida Itavuvu aos domingos, das 8h às 13h, para even-tos culturais e lazer das famílias. 

Por algumas horas, o trânsito parou. Um comerciante fechou suas portas por não ter mais clientes naquele dia, mas comemorou pelo neto, que andava alegremente com sua bicicleta no largo asfalto acinzentado. Alguns correm, pedalam, ou mesmo dão seus primeiros passos com auxílio do pai coruja. Vitor, de apenas um ano de vida, já ensaiava seu caminhar, observado pelos curiosos, que se divertiam ao vê-lo tentar por diversas vezes chegar ao outro lado da calçada. 

A música estava por todos os lados, dando ritmo às meninas que corriam umas atrás das outras no que parecia ser um pequeno trem imaginário. A Sorocaba da saúde abre suas portas para seus cidadãos. Com a Via Viva, projetos culturais afloram por todos os lados, e a avenida é visitada por bandas, exposições fotográficas e artistas de rua. A cidade da leitura também se encontrava na Via, e os famosos “Vai e Vem” móveis distribuíam livros para todos, sem burocracia nem compromisso. A cada rua, uma novidade. Internet era distribuída gratuitamente a quem passasse, e até mesmo jornais diários circulavam, espalhando as notícias daquele domingo ensolarado. 

A Via Viva é um retrato de Sorocaba. Um horizonte a seguir, uma esperança. Diante de tantas situações curiosas, pessoas interessantes e uma mistura de cores e chei-ros, o acontecimento merece um brinde: Viva a Via! 

Luiz Fernando Toledo Antunes (AgênciaJor / Uniso)